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domingo, 20 de maio de 2012

O pouco poético


Hoje sou uma mulher de pouca prosa e muita poesia. E se antes eu precisava de muito pra dizer pouco, hoje o mínimo me preenche e ocupa minha falta de palavras. Palavras para dizer o óbvio, para cantar o exagero, para decifrar o subentendido da minha vida. Minhas vontades todas tecidas pelo desassossego de existir, silenciando para que o outro perceba o vocabulário inteiro... Hoje eu só quero menos espaço para muita verdade, pois chega de mentiras rasgadas, chega de hipérbole para nada. Se for rasgar o verbo que seja pra valer a pena os pretéritos futuramente lembrados, os presentes dados com sinceridade. Arranhar-me com as palavrinhas e machucar alguém com palavrões não faz mais sentido. Adeus a contradição! Porque quero o menos, o singelo, o discreto do dizer. O invisível do parecer. Ao menos hoje, ao menos agora. Antes que a prosa toda volte e a muita poesia vá embora.


(...)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A mulher escrita


Por Olavo Barreto

"A poesia surgiu em seu olhar
Na mesma hora em que a lua surge no céu...
Palavras simples
Numa escrita feminina
De um sonho de menina
A uma musa plena que se esconde num véu

Sobre as águas andou
Entre tardes calorosas via as ondas do mar
E sobre cada correnteza, para ela,
A vida se propunha a contemplar

Olhos negros...
De vasta observação
Via além de suas pupilas
O bater de um coração

Verbo tão doce
Que se pode conjugar
Ela conjugou literatura
Fez dela sua cavalgadura
Para os outros encantar

Poesia de sereia
Sob a escrita viva em mel
Leva na face um luzeiro
Para transmitir vida em papel"




Poema dedicado a mim,
da autoria do meu amigo e poeta, Olavo Barreto.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Maçã do amor

Um amor enraizado no coração é como fruta já saboreada, vocabulário já desgastado pelo uso. Um amor vindouro é como fruta verde, esperando amadurecimento; neologismo, inventando dicionário. Como a maçã que se observa mas não se come; como o te amo que se pensa mas não se diz. E ouso dizer que já tenho o gosto na ponta da língua: história com princípio, cama ao meio, dias sem fim. 




Para ouvir! 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O sol nasce pra todos

Às vezes bate sentimento 
de humanidade. 

Um pedacinho do céu, 
um bicho da sorte inusitado, 
um sorriso sem motivo... 

Uma vontade de esperança, 
de ver uma face incomum,
do transgredir...

Barrando as diferenças, 
afogando a violência,
liberando as ideias...


Para que explique o meu amor,
minha tolerância,
minha paz...


Pela humanidade.

Para que o mundo enxergue
O azul pequenino que enxergo
A esperança verde ativa
O sorriso alastrado que me pego
Ao menos agora 
Às vezes, quem sabe...

Pela humanidade.